Quando a dor do corpo tem uma história
- Revista Personalità
- 1 de jul.
- 2 min de leitura

Nem toda dor começa no corpo. Muitas vezes ela nasce em experiências que não conseguimos elaborar completamente. O ser humano não é dividido em partes isoladas. Somos uma integração profunda entre emoção, comportamento, corpo e espírito. Quando algo nos atravessa de forma intensa, todas essas dimensões podem sentir. Em certos momentos da vida, aquilo que não conseguimos dizer ou compreender encontra outra forma de aparecer. E muitas vezes essa forma é o próprio corpo. Talvez você mesmo já tenha vivido algo assim: uma dor que surge sem explicação clara, uma ansiedade que insiste em permanecer ou uma sensação de peso no peito que parece não ir embora. Lembro-me de uma paciente que chegou à clínica amparada pela mãe e pelo marido.
Ela sentia muitas dores e tinha dificuldade até para caminhar. Cada passo parecia exigir um esforço enorme. Era visível que aquele corpo carregava um peso que não era apenas físico. Durante a conversa, ficou claro que ela havia vivido perdas muito dolorosas em um curto espaço de tempo. A vida havia exigido dela mais do que talvez fosse possível suportar naquele momento. Seu corpo parecia ter entrado em um verdadeiro estado de sobrevivência. Após a primeira sessão, algo inesperado aconteceu. Ela voltou até a recepção caminhando sozinha.
A mãe, emocionada, começou a chorar ao perceber aquele pequeno grande movimento. Não era apenas sobre caminhar novamente. Era como se algo dentro dela tivesse começado a se reorganizar. O tratamento precisou continuar para que o resultado se consolidasse de forma profunda, mas aquele momento revelou algo importante: quando o ser humano é olhado de forma integral, mudanças começam a acontecer.
Ainda assim, muitas pessoas passam anos ignorando os sinais do próprio corpo. Tentam resolver tudo sozinhas ou tratam apenas os sintomas físicos, sem perceber que emoções não elaboradas também podem encontrar no corpo uma forma de se manifestar. Com o tempo aprendemos algo essencial: ouvir o corpo não é sinal de fraqueza, é sinal de consciência. Talvez por isso a pergunta mais importante não seja apenas como eliminar um sintoma, mas compreender o que ele está tentando comunicar. Porque, muitas vezes, quando a mensagem é finalmente compreendida… o corpo já não precisa mais gritar para ser ouvido.
Kácia Cunha - Fisioterapeuta, pós-graduada em Cardiorrespiratória, microfisioterapia, constelação familiar, reiki, saúde integrativa
programação neural e outros



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